Posted: 21 Dec 2008
Related to: São Paulo City Center Revitalization, Developing High-Quality, Low-Cost Mass Transit, Brazil
Contributed by: Jonas Hagen, ITDP
Tomadores de decisão apresentaram seus planos para melhorar mobilidade urbana em cidades brasileiras em um evento organizado conjuntamente com ITDP e UITP (em inglês, International Union of Public Transport), contado com o suporte da Clinton Climate Initiative, no dia 2 de dezembro de 2008, na cidade de São Paulo. Na preparação para a recepção da Copa do Mundo de 2014, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba discutiram seus planos de transporte, incluindo sistemas completos de corredores de ônibus – conhecido como BRT (do inglês Bus Rapid Transit) –, VLT (veículo leve sobre trilhos), metrô e bicicletas. O evento encerrou-se tendo como destaque o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa, cuja fala endossou sua autoridade como um tomador de decisão que implementou bons planos em um curto período de tempo.

Marcos Kassab, do Metrô de São Paulo, apresentou planos para estender a rede de trilhos de 117 km de transporte com “qualidade de metrô” para 244 km até 2010. Atualmente, a cidade tem 61 km de metrô e 56 km de commuter rail (sistema de transporte ferroviário de curta distância, entre o centro urbano e suas periferias) e transporta 25% de todos os usuários de transporte público. Os ônibus transportam os 75% restantes. A expansão incrementaria o metrô em 80 km. O objetivo, afirmou Kassab, seria elevar o uso de transporte de trilhos para alcançar, até 2025, 50% dos usuários de transporte público. Sob o mesmo cenário, viagens de carro cairiam de 45% das viagens para 35%, e a participação dos ônibus nessa categoria diminuiria para 50%.
Três novos corredores de ônibus (BRT), totalizando mais de 70 km, também estão sendo planejados para São Paulo. Representando SP Trans, a autoridade em transporte na cidade, Laurindo Junqueira, discutiu os planos do BRT ao longo dos corredores da Celso Garcia, Expresso Tiradentes e M’Boi Mirim.
Clodualdo Pinheiro Junior da URBS, a autoridade que gerencia o sistema BRT em Curitiba, mostrou serviços sendo finalizados no novo corredor BRT de 18 km: a Linha Verde. Esse corredor está se apropriando de uma pista de lata velocidade urbana e transformando-a em uma via BRT completa, com ciclovia, paisagismo e incrementada densidade habitacional.
Belo Horizonte completou recentemente um plano de mobilidade que demanda uma BRT de 55 km e uma rede de bicicletas de 260 km, relatou Ricardo Medanha, Presidente da BH Trans, a agência de transportes da cidade. Orientações do plano incluem priorizar pedestres e reduzir o uso de automóveis, disse Medanha. Ele também mostrou um novo estacionamento de bicicletas que ocupa o espaço de uma vaga de carro e tem capacidade para 12 bicicletas.
Peter Alouche, da consultoria de transportes Trends, apresentou sobre uma compania brasileira, Bom Sinal, que está produzindo vagões para sistemas de VLT. O VLT é uma tecnologia útil que está sendo adotada por cidades brasileiras tais como Recife e Fortaleza, disse Alouche. Apesar de os custos elevados de veículos e da infra-estrutura de eletricidade tornarem o VLT mais caro do que sistemas de ônibus com capacidade similar, a modalidade VLT é apropriada a alguns contextos urbanos.
Mario Durán do Banco Interamericano de Desenvolvimento apresentou sobre as lições aprendidas de alguns dos projetos que financiou, por exemplo, um metrô em uma cidade brasileira que a BID financiou transporta apenas 55 mil passageiros por dia, enquanto um metrô deveria transportar essa quantidade por hora. Este metrô também requer um subsídio anual de 55 milhões de dólares. Durán também falou que túneis construídos para ajudar a aliviar congestionamento automobilístico em áreas urbanas só pioraram o trânsito no longo prazo.
Cidades da África do Sul estão investindo pesadamente em sistemas BRT para prover sistemas de transporte de alta qualidade para a Copa do Mundo de 2010, afirmou Wagner Colombini, presidente da Logit Consultancy. A Copa do Mundo tem sido um importante catalisador na transformação de sistemas de transporte no país. Johannesburg vai abrir 63 km a tempo da Copa, e Phase One irá totalizar 122 km. Cape Town está planejando mais de 30 km de BRT, incluindo um importante link para o aeroporto. Esses sistemas vão integrar-se com redes cicloviárias e prover calçadas e faixas de pedestre de primeira classe, contou Colombini.
Berlim criou um programa para atrair fans do jogos da Copa do Mundo de 2006 de bicicleta, resultando em um incremento de 25% em ciclismo e uma diminuição de 5% no uso de carro durante a Copa, de acordo com uma apresentação de Jonas Hagen do ITDP (do inglês, Institute for Transportation and Development Policy). Com uma rede atual de 650 km de ciclovia, Berlim também proporcionou estacionamento seguro no estádio e em outros locais utilizados por fans, atrelado a extensivas campanhas publicitárias. Essas medidas ajudaram a cidade a ter êxito em seu objetivo de usar a Copa do Mundo para captar novos ciclistas. Uma pesquisa mostrou que 20% desses ciclistas normalmente utilizavam carro antes da Copa, relatou Hagen.
Por causa da extensa rede ferroviária de Londres, 80% dos espectadores utilizarão transporte de trilhos para chegar ao Parque Olímpico para as Olimpíadas de 2012, contou Richard Brown, da London Olympics Legacy Committee. “Corredores verdes” de alta qualidade para pedestres e ciclistas também estão sendo planejados para trazer espectadores aos jogos através de um apelo estético e de um ambiente confortável e seguro.
Elaine Felske do Comitê Olímpico Brasileiro mostrou os planos de transporte para a licitação do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2016, que incluem 72 km de BRT e a melhoria das linhas de metrô e de commuter rail. Segundo Felske, o custo-benefício compensador da BRT e o tempo de implementação relativamente curto levaram tomadores de decisão a buscarem implementar novos corredores BRT para ir ao encontro de demandas de transporte no Rio durante e depois dos jogos olímpicos.
Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá entre 1998 e 2001, encerrou o evento urgiu tomadores de decisão a construírem infra-estrutura urbana que atendesse às necessidade das populações mais vulneráveis da cidade, tais como idosos, crianças e cadeirantes. “A melhor coisa para um prefeito ou uma secretaria de planejamento fazer para compreender as necessidade de transporte de sua cidade é sentar em uma cadeira de rodas e tentar ir de um lugar a outro”, disse Sr. Peñalosa. Ele afirmou que em Bogotá, construir a rede de ciclovias de 340 km foi importante não só porque proporciona segurança e conforto para os ciclistas da cidade, mas também pelo valor simbólico: “uma ciclovia excelente mostra que a pessoa andando de bicicleta que custa mil dólares é tão valiosa quanto uma pessoa em um carro que custa 30 mil dólares”.
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